Ao invés de entrar na guerra das maquininhas, a Finnet – especializada em tecnologia e automação para a gestão financeira apostou em um caminho alternativo para crescer. Sob seu guarda-chuva estão cinco unidades de negócios que operam para facilitar os processos relacionados aos meios eletrônicos de pagamentos entre empresas e clientes. A estratégia vem dando certo:

A Finnet já cresceu esse ano 30% em comparação ao ano passado e, para o ano que vem, espera um aumento de 40% nos negócios. A expectativa positiva vem embalada pelas novidades que devem ser implementadas, como o pagamento instantâneo e LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), e que a companhia está apta a dar o suporte às empresas que tiverem de se adequar.

Atualmente, a Finnet movimenta R$ 1,4 trilhão em transações realizadas através de suas soluções, 800 mil empresas interligadas em suas soluções e mais de 12,2 milhões de arquivos trafegados/ano. Conta com 300 funcionários e presença em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte, o que permite uma atuação nacional.

Segundo Yoshimiti Matsusaki, CEO e co-fundador da Finnet, a empresa se posiciona como um provedor de soluções com capacidade para fazer um diagnóstico e, a partir daí, implementar ajustes de gap tecnológico e inserção de soluções que equipare ou até mesmo diferenciem a empresa da concorrência. “A tecnologia não é mais um plus; ela, na verdade, permeia todos os segmentos e todas as áreas de atuação”, diz. Um dos braços de atuação da Finnet é o HubPay, um gateway de pagamento que opera com transações virtuais e físicas. “Estamos levando a nossa solução de gateway para o mundo físico, para outros tipos de segmento. Tradicionalmente, a gente só pensa em e-commerce”, explica  Matsusaki. Na prática, a empresa cliente da Finnet desenvolve um aplicativo – que pode ser disponibilizado em um site, no celular, em uma maquininha, entre outros dispositivos – e conecta-o ao gateway da fintech. Isso permite que empresas possam fazer cobranças e receber o pagamento entre 25 a 40 bancos. Concessionárias de luz e água, por exemplo, podem aceitar pagamentos de débito, crédito e boleto durante a visita de um técnico que, a princípio, teria sido enviado para cortar o serviço.

A Finnet também desenvolveu soluções para melhorar o recebimento via débito automático. Caso o cliente não tenha o saldo em conta no dia do pagamento cadastrado, a ferramenta aplica no mês mais duas ou três tentativas de cobrança. “Nesse processo de retentativa de pagamento você consegue captar o máximo de receita e tirar um incomodo para o usuário. Muitas vezes, aquela conta em débito automático não caiu e ele nem sabe. Há pessoas que têm a gestão mais detalhada, mas muitas não acompanham tanto no detalhe”, diz Matsusaki.

Bancos digitais

A conciliação de diferentes tipos de pagamentos também está no portfólio da Finnet. “O processo de conciliação vai ficar ainda mais complexo. Além de trabalhar com diversas adquirentes, bandeiras e bancos, as empresas terão de conciliar carteiras, plásticos e outros meios de pagamento”, ressalta o executivo. Para este cenário, a empresa aposta no Bank Manager. A plataforma, por ser White label, pode ainda ser utilizada como estrutura de internet banking. “Outra percepção que nós temos é que todos estão querendo virarbanco digital. Posicionamos-nos como um provedor de soluções para esses bancos que querem fazer esse movimento. Além disso, esse movimento que começa com a pessoa física terá um segundo passo, que é atuar com as PMEs ou pessoa jurídica”, vislumbra Matsusaki.

Blockchain é o futuro

A Finnet já detém solução desenvolvida em Blockchain, mas o mercado ainda não está respondendo às soluções financeiras baseadas na tecnologia. “O próprio Banco Central para pagamentos instantâneos não exigiu que se utilizasse a tecnologia. Na verdade, a gente entende que o Blockchain é uma demanda, que o mercado vai utilizar, mas por enquanto as empresas caminham sem ele. Hoje, ainda não temos a real noção do que se trata o Blockchain. Desconhecemos as possibilidades. Por exemplo, no passado, achávamos que a Internet se resumia a uma homepage e ao envio de um e-mail. Agora, conseguimos entender qual é o potencial.

Quebrou muito modelos existentes”, compara Matsusaki.

Libra e outras moedas digitais

“São provocações que o mercado precisa. Alguma coisa tem que acontecer para mudarmos a nossa forma de pensar. As big techs representam os maiores riscos para os grandes bancos. O Facebook tem força pela quantidade de pessoas que há dentro da rede social. Ele consegue mobilizar esse contingente todo. Esse é o movimento da nova economia: o quanto eu consigo construir uma comunidade ao redor de um produto, de um serviço, de uma bandeira”, acredita o CEO da Finnet.

Mercado chinês

“O modelo que a China vem buscando é um modelo que precisamos ficar bastante atentos. Há grandes marcas na China que desconhecemos por aqui. Na prática, em meios eletrônicos de pagamento, o que está funcionando lá não tem por que não funcionar aqui. O que cria certa estranheza para nós brasileiros quando vamos para lá é que a China queimou etapas que agente passou”, pontua o executivo.